Clássicas de 2026: Pogačar iguala recorde na Flandres, Van Aert enfim vence Roubaix

Em uma semana, os Monumentos de pavê mudaram de protagonista: Tadej Pogačar venceu sua 3ª Volta à Flandres, mas foi Wout van Aert quem levou Paris-Roubaix — o primeiro título belga na prova desde 2019.

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Cobblestone climb during the cobbled classics season

Abril reservou duas semanas decisivas para o pelotão das clássicas de um dia. No espaço de sete dias, a Volta à Flandres e Paris-Roubaix — dois dos cinco Monumentos do ciclismo — contaram histórias opostas: domínio absoluto de um lado, revanche do outro.

Em resumo

  • Volta à Flandres (110ª edição, 5/4): Tadej Pogačar (UAE) vence pela 3ª vez, iguala recorde de vitórias na prova.
  • Margem de 34s sobre Mathieu van der Poel; Remco Evenepoel completa o pódio na estreia na Ronde.
  • Paris-Roubaix (123ª edição, 12/4): Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) vence no sprint sobre Pogačar.
  • 1º título de Van Aert na prova e 1º título belga desde 2019; edição mais rápida da história (48,91 km/h de média).

Volta à Flandres: o esloveno de novo

No domingo de Páscoa, 5 de abril, Pogačar repetiu a dose que já vinha aplicando em edições recentes: atacou na penúltima subida do Oude Kwaremont, a 57 km da linha, e só não conseguiu se livrar de Evenepoel e Van der Poel de imediato. No Paterberg, Evenepoel foi driblado pela rampa; na última passagem pelo Kwaremont, sobrou só Van der Poel — que resistiu quase até Oudenaarde, mas cruzou a linha 34 segundos atrás. Evenepoel fechou o pódio a 1min11, na estreia da carreira dele na clássica. Foi a 3ª vitória de Pogačar na Ronde, igualando o recorde de triunfos na história da prova.

Paris-Roubaix: a virada de Van Aert

Uma semana depois, em 12 de abril, o roteiro se inverteu. Depois de terminar em 4º na Flandres, Wout van Aert bateu Pogačar num sprint a dois na chegada do velódromo de Roubaix, garantindo seu primeiro título na prova e encerrando um jejum belga que durava desde 2019. A edição, disputada entre Compiègne e Roubaix ao longo de 258,3 km — dos quais 54,8 km em pavê —, também entrou para a história como a mais rápida de sempre, a 48,91 km/h de média. Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) completou o pódio.

Dica do Vaca

Reparou que Van Aert "só" terminou em 4º na Flandres e mesmo assim venceu Roubaix uma semana depois? Isso não é sorte, é planejamento de temporada: às vezes perder bem uma prova é o primeiro passo pra vencer a seguinte. Guarde essa lição pro seu calendário também.

O que fica da temporada de pavê

Os dois Monumentos fecham o quadro da primavera europeia com um recado duplo: Pogačar segue como o nome a bater em qualquer terreno, mas o pavê de Roubaix — histórico equalizador do ciclismo, onde força bruta e sorte mecânica pesam tanto quanto pernas — ainda tem espaço para outros vencedores. Evenepoel, com o pódio de estreia na Flandres, e Van Aert, finalmente coroado no "Inferno do Norte", foram os grandes nomes batendo à porta do topo em 2026.

Conclusão

Fica fácil enxergar 2026 como "mais um ano de Pogačar" — e nos Alpes ou nos Pirineus, a leitura provavelmente estaria certa. Mas o pavê de Roubaix lembrou o pelotão de uma verdade antiga: dá pra dominar a temporada inteira e, ainda assim, perder justamente a prova mais imprevisível do calendário.

Leitura do Pelotão

Se tem uma corrida que resiste à hegemonia de um só corredor, é Roubaix — e é exatamente por isso que ela segue sendo, pro Vaca, a mais bonita das clássicas. Pogačar pode seguir batendo recorde atrás de recorde no resto da temporada; no pavé do norte da França, o acaso ainda tem a palavra final.

Reportagem produzida pela redação O Vaca Ciclista. O conteúdo reflete nossa paixão pelo pedal e compromisso com a precisão técnica.