Abril reservou duas semanas decisivas para o pelotão das clássicas de um dia. No espaço de sete dias, a Volta à Flandres e Paris-Roubaix — dois dos cinco Monumentos do ciclismo — contaram histórias opostas: domínio absoluto de um lado, revanche do outro.
Em resumo
- Volta à Flandres (110ª edição, 5/4): Tadej Pogačar (UAE) vence pela 3ª vez, iguala recorde de vitórias na prova.
- Margem de 34s sobre Mathieu van der Poel; Remco Evenepoel completa o pódio na estreia na Ronde.
- Paris-Roubaix (123ª edição, 12/4): Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) vence no sprint sobre Pogačar.
- 1º título de Van Aert na prova e 1º título belga desde 2019; edição mais rápida da história (48,91 km/h de média).
Volta à Flandres: o esloveno de novo
No domingo de Páscoa, 5 de abril, Pogačar repetiu a dose que já vinha aplicando em edições recentes: atacou na penúltima subida do Oude Kwaremont, a 57 km da linha, e só não conseguiu se livrar de Evenepoel e Van der Poel de imediato. No Paterberg, Evenepoel foi driblado pela rampa; na última passagem pelo Kwaremont, sobrou só Van der Poel — que resistiu quase até Oudenaarde, mas cruzou a linha 34 segundos atrás. Evenepoel fechou o pódio a 1min11, na estreia da carreira dele na clássica. Foi a 3ª vitória de Pogačar na Ronde, igualando o recorde de triunfos na história da prova.
Paris-Roubaix: a virada de Van Aert
Uma semana depois, em 12 de abril, o roteiro se inverteu. Depois de terminar em 4º na Flandres, Wout van Aert bateu Pogačar num sprint a dois na chegada do velódromo de Roubaix, garantindo seu primeiro título na prova e encerrando um jejum belga que durava desde 2019. A edição, disputada entre Compiègne e Roubaix ao longo de 258,3 km — dos quais 54,8 km em pavê —, também entrou para a história como a mais rápida de sempre, a 48,91 km/h de média. Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) completou o pódio.
Dica do Vaca
Reparou que Van Aert "só" terminou em 4º na Flandres e mesmo assim venceu Roubaix uma semana depois? Isso não é sorte, é planejamento de temporada: às vezes perder bem uma prova é o primeiro passo pra vencer a seguinte. Guarde essa lição pro seu calendário também.
O que fica da temporada de pavê
Os dois Monumentos fecham o quadro da primavera europeia com um recado duplo: Pogačar segue como o nome a bater em qualquer terreno, mas o pavê de Roubaix — histórico equalizador do ciclismo, onde força bruta e sorte mecânica pesam tanto quanto pernas — ainda tem espaço para outros vencedores. Evenepoel, com o pódio de estreia na Flandres, e Van Aert, finalmente coroado no "Inferno do Norte", foram os grandes nomes batendo à porta do topo em 2026.
Conclusão
Fica fácil enxergar 2026 como "mais um ano de Pogačar" — e nos Alpes ou nos Pirineus, a leitura provavelmente estaria certa. Mas o pavê de Roubaix lembrou o pelotão de uma verdade antiga: dá pra dominar a temporada inteira e, ainda assim, perder justamente a prova mais imprevisível do calendário.
Leitura do Pelotão
Se tem uma corrida que resiste à hegemonia de um só corredor, é Roubaix — e é exatamente por isso que ela segue sendo, pro Vaca, a mais bonita das clássicas. Pogačar pode seguir batendo recorde atrás de recorde no resto da temporada; no pavé do norte da França, o acaso ainda tem a palavra final.
Reportagem produzida pela redação O Vaca Ciclista. O conteúdo reflete nossa paixão pelo pedal e compromisso com a precisão técnica.